
Ela saiu cedo de casa, ia pra aula de balé, anos que dançava. Adorava dançar. Calçar sapatilhas era quase um ritual, os sons do conservatório de música eram algo único. Ela sabia que, dia após dia, era admirada pelo cara da cantina. O cara da cantina era na verdade o filho da dona da cantina da escola de dança e música em que ela estudava desde criança. Cresceu reparando nele. Ele era mais velho que ela 5 anos...Ela cresceu dançando, olhando pra ele debruçado em partituras de música clássica. O tempo passou e ela o viu trocando as partituras do piano pela gaita e pelo violão.Parecia que era apaixonado por música, como ela era pelas sapatilhas.
O dia não tinha sido fácil. Não era fácil ter 18 anos e entrar na faculdade que os pais sempre sonharam que ela faria. – “Direito é um curso promissor”, eles diziam. Ela gostava do que estudava, mas não tinha exatamente certeza se era isso mesmo que queria. Estava cansada, mas mesmo assim ia dançar.Passou por ele mais uma vez, percebeu que era estranho se cruzarem quase todos os dias e não trocarem nem um oi. Ela passou a infância e a adolescencia apaixonada por aquele garoto de caixinhos castanhos e olhos pretos e agora, que tinha crescido, apenas ria de si mesma. Sabia quase nada sobre aquele ser que já era presença em sua vida.
Subiu as escadas com pressa, já estava atrasada e o professor lhe daria uma bronca."-A
onde foi parar a disciplina?". Ele não seria capaz de entender que filosofia era uma disciplina chata. Foi quando esbarrou em alguém e quase morreu de susto ao ver que tinha derramado suco de laranja no menino da cantina. Pediu uma desculpa rápida - ninguém mandou ele descer escadas com suco de laranja - e seguiu seu caminho. A dança lhe esperava.

2 comentários:
pôxa... cade o resto !?!?!?!?
ah bom...vc reclama do meu conto...e faz a mesma coisa num é cotrim?!
(Y)...(sinal de legal pra vc)
=X
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