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domingo, 30 de setembro de 2007

O primeiro olhar que viu.


Ele não podia acreditar que estava todo sujo de suco de laranja."Aquela pirralha não olha por onde anda?", ele pensou.Mas ela não era uma pirralha.Estava só distraída.Pediu desculpas, mas a dança lhe esperava.E ele tinha que pedir um novo suco.Anos que ia ali naquela escola de música e dança.Seu pai era o dono da cantina e ele era apaixonado por música.Já havia experimentado de tudo, desde piano até a gaita , passando pelo violão e a bateria.Sabia que tinha talento.Todos lhe diziam isso, mas não era pretensioso em relação a fama.Queria apenas fazer a sua música, não encarava as partituras como algo sério, algo que pudesse lhe dar uma ocupação.Assim estudava engenharia civil a 3 anos.A menina das sapatilhas não sabia disso, ao contrário dele, ela era apaixonada pela dança e pela música também.Queria ser bailarina.Sempre quis, mas foi obrigada pelos pais a entrar na faculdade de direito.Ela sempre havia percebido o moço da cantina e nutria até uma certa afeição por ele.E tinha acabado de derrubar suco de laranja ...Entrou atarandada no salão de dança.Viu que o dia não ia ser fácil pela cara do professor:
- Isso é hora?
-Aiii me desculpe...
- Onde está a disciplina?
Ela já previa essa frase, engoliu em seco e calçou as sapatilhas...Fez seu alongamento, e dançou...dançou como sempre dançava : maravilhosamente bem.Com a leveza necessária e a firmeza que deixava sua dança única.
Ele passou pela sala por acaso, estava atrás do seu professor de música e percebeu pela primeira vez como a menina dançava bem...Ela já havia visto ela dançar algumas vezes, mas pela primeira vez reparou na dança dela.E reparou também em como seu corpo era bonito, e seu rosto suave.e reparou.Reparou além do que sempre tinha visto.
E foi ali , naquele momento, entre um rodopio e um salto que ela notou o olhar dele atrás da porta de vidro.o susto foi tamanho que desequilibrou-se.O professor desligou a música, e o encanto daqueles que parecem de filme se esvaiu.Ele voltou à sua cantina e sua gaita, e seu violão e ela descalçou as sapatilhas.




segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A dança e o cara da cantina.



Ela saiu cedo de casa, ia pra aula de balé, anos que dançava. Adorava dançar. Calçar sapatilhas era quase um ritual, os sons do conservatório de música eram algo único. Ela sabia que, dia após dia, era admirada pelo cara da cantina. O cara da cantina era na verdade o filho da dona da cantina da escola de dança e música em que ela estudava desde criança. Cresceu reparando nele. Ele era mais velho que ela 5 anos...Ela cresceu dançando, olhando pra ele debruçado em partituras de música clássica. O tempo passou e ela o viu trocando as partituras do piano pela gaita e pelo violão.Parecia que era apaixonado por música, como ela era pelas sapatilhas.

O dia não tinha sido fácil. Não era fácil ter 18 anos e entrar na faculdade que os pais sempre sonharam que ela faria. – “Direito é um curso promissor”, eles diziam. Ela gostava do que estudava, mas não tinha exatamente certeza se era isso mesmo que queria. Estava cansada, mas mesmo assim ia dançar.Passou por ele mais uma vez, percebeu que era estranho se cruzarem quase todos os dias e não trocarem nem um oi. Ela passou a infância e a adolescencia apaixonada por aquele garoto de caixinhos castanhos e olhos pretos e agora, que tinha crescido, apenas ria de si mesma. Sabia quase nada sobre aquele ser que já era presença em sua vida.
Subiu as escadas com pressa, já estava atrasada e o professor lhe daria uma bronca."-Aonde foi parar a disciplina?". Ele não seria capaz de entender que filosofia era uma disciplina chata. Foi quando esbarrou em alguém e quase morreu de susto ao ver que tinha derramado suco de laranja no menino da cantina. Pediu uma desculpa rápida - ninguém mandou ele descer escadas com suco de laranja - e seguiu seu caminho. A dança lhe esperava
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Préfácio

A história é sempre igual.Essa história não fui eu quem vivi, mas ela é minha.É minha porque é de todo mundo.Sou eu quem estou criando, então é a minha.
As pessoas já estão cansadas das histórias que eu vivo, então conto agora a história que eu queria viver.


 
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